terça-feira, 15 de março de 2022
terça-feira, 8 de março de 2022
ANTE-PROPÓSITO
ns
SIM, SÃO OS MESMOS
Sim, são os mesmos. São os sicofantas que - sem pudor nem senso crítico,
fazendo jus à sua hipocrisia afinal desvelada pelos acontecimentos - escreviam
que "Putin já ganhou" e que "A culpa é do Ocidente", para
justificarem o seu cinismo.
São os mesmos que propõem que se censurem os livros de Eça de Queirós
por ser "racista", que se marginalize J.K. Rowling por ser
"anti-feminista", que se afaste Cézanne por ser
"pornográfico", ou Balthus pelo mesmo motivo.
São os mesmos que, ora nas ruas onde a democracia no entanto protege o
seu linguajar, ou confortavelmente em casa agregam semelhantes motivos, bolsam
a frase conhecida "Antes vermelhos que mortos", enquanto
desregradamente propõem que se mate o homem branco como se fôssemos todos
marcados por um pecado secular injusto.
São os mesmos que falam em poesia e em liberdade enquanto vão negando
pelos seus actos a liberdade e a poesia.
São os que agora, com o pretexto da equidistância, peroram que a guerra
acabe, enquanto vão festejando impressa ou expressamente os actos de guerra
brutal numa terra alheia.
São os mesmos que andam entre nós com palavras gentis para com os
"trabalhadores", para com o "povo", enquanto esperam os
tempos para melhor cravarem navalhas simbólicas, mais reais noutros manejos,
nas nossas costas.
São os que, tal como aqueles que no teatro de guerra estropiam e matam
quem os tenta deter, têm as mãos manchadas de sangue inocente.
São os que afinal, afivelando mansuetude, apoiam os ditadores onde quer
que eles se encontrem, sejam eles Maduros ou Khomeinis, Noriegas ou Al-Assads.
Ou Putins.
São os mesmos, embora de fácies diferentes. Com máscara ou insolitamente
a descoberto.
ns
Para um minuto de meditação - 153
Fernando Aguiar
LEMBRAM-SE?
Durante o chamado Estado
Novo, havia um "saco azul", uma verba destinada a pagar a
"jornalistas" venais e "fazedores de opinião" fora de
portas para dizerem bem do regime. Tal como havia uma outra, caseira, para
contemplar as boas obras dos tristemente célebres
"bufos", honoráveis cavalheiros e cavalheiras da mais diversa
extracção que tinham como missão espiolhar o que o cidadão fazia e dizia.
Tudo a bem da nação...
A prática sempre foi,
aliás, proverbial. Instituída pela primeira vez, com foros de operacionalidade
oficial, durante os tempos de Bismarck, que foi o criador do chamado
"Fundo dos répteis", foi depois adoptada pela generalidade dos
Estados e dos regimes, o que se tornou muito marcado durante o tempo
hitleriano. A leste, sob as ordens de Trotsky e Stalin, o caso não foi tão
marcado em relação aos "bufos", porquanto foram estabelecidas as
chamadas "milícias populares", que tinham secções de informação
específicas, o que dispensava a delação particular, chamemos-lhe assim. Só
mantiveram o sector que exercia, no estrangeiro, as denominadas
"plantações", através das quais compravam a boa-vontade de discretos
ou não tão discretos "propagandistas" publicistas, espiões e
formações partidárias, robustamente abastecidas de dinheiro fresco para levarem
a cabo ora a infiltração, ora a acção política apropriada para eficazmente servirem
os intuitos de quem lhes pagava.
Actualmente, tais
manejos ganharam novo e diversificado impulso, quer seja mediante actos "legais", como o renomado
sistema de "vistos Gold", em que as cliques de argentários ligados e
sustentados pelo regime autoritário a que pertencem, se instala e vai roendo
por dentro a sociedade-alvo, aproveitando a labilidade de governos ou de
instituições. Ou ilegais, como o "discreto" financiamento de espaços
específicos - na Internet, por exemplo - em que o que é esperado dos seus
mantenedores é que estejam sempre sintonizados com a nação financiadora.
No caso vertente, o mais
marcado país que assim procede é a China, baseando-se em que é um regime bem
sucedido, próspero e pacífico, um comunismo de sucesso que
será exemplo para toda a humanidade. E os seus estipendiados buscam fazer
esquecer a realidade de que o país ao qual estão ao serviço possui partido
único, veios sociais controlados ferreamente, imprensa absolutamente censurada,
ausência de liberdade de expressão e regime prisional e jurídico
governamentalizados.
Nos últimos tempos, uma vez
que vieram a lume comprometimentos por ambição ou laxismo de altas
individualidades ocidentais, seja nos campos económico-financeiro, desportivo
ou mesmo político e até governamental, foram accionadas mais eficazmente as
agências próprias que têm a missão de proteger a sociedade democrática desses
manejos.
Também em Portugal, embora
de forma incipiente, se vai começando a agir (é um imperativo evidente!) no
sentido de que os inimigos da liberdade e do bem-comum não possam continuar nas
suas jogadas traiçoeiras e criminosas de verdadeiros lobos com pele de
cordeiro como diz o apólogo bem conhecido.
Um poema de Maria Azenha e um outro, de Boris Pasternak
Numa folha da
Primavera
O que é a Paz?
Onde está a sua
sede?
Onde está o seu
mercado?
Já tem escritório?
Já entrou na bolsa?
A Paz, ontem, valia
milhares de mortos…
Alguém saberá onde
estão os seus ovos?
No cemitério?
No céu?
Ninguém sabe, pois
não?!
A Paz, atarefada
com a guerra, abre a sua própria cova.
Lá esconde os seus
ossos. Os seus bosques de neve.
Ouvi, então!
Agora mesmo
rebentou uma folha da primavera cheia de versos.
Só uma criança a
viu.
Chama-se Kiev.
Porque esperam?
Nada acontece duas
vezes do mesmo modo!
POEMA
Ser famoso não é o que conta,
Não é o que te levanta.
Não tens necessidade de arquivar
Agitando-te sobre manuscritos.
O objetivo da criatividade é a doação,
Não um triunfo, nem um sucesso.
É dispensável, nada significa
Se não for uma parábola na boca de todos.
Mas devemos viver sem impostura.
Vive então para que no final
Atraias o amor pelo espaço
Ouvindo o apelo do futuro.
E mesmo deixando lacunas
No destino, não entre os teus papéis,
Lugares e capítulos de uma vida inteira
Bem sublinhada nas margens.
(Tradução de ns)
Nicolau Saião, Goebbels agradeceria
ns
Goebbels, como sabem, era o chefe máximo da "Informação" na
Alemanha nazi. Mandava não só nos Jornais e Rádio mas também no sector do
Cinema, do Teatro e do comércio livreiro - todos sujeitos a um férreo controle
que no mínimo levava ao encerramento das suas actividades e, no mais usual, à
prisão e aos campos de concentração. O órgão que teve a sua preferência
durante toda a guerra e também nos anos que a antecederam era o
"Volkischer Beobachter", primeiramente dirigido pelo antissemita
Dietrich Eckart e, depois, por Alfred Rosenberg, o ideólogo racista considerado
um dos grandes bandidos da História contemporânea.
Era nesse periódico que
Goebbels, quase diariamente, exercia o seu estro como propagandista-mor do
regime nacional-socialista (nazi), sendo como era a alma-danada de Hitler e um
especialista em fazer do branco preto e do preto branco, num exercício de
retórica execrável que, mais tarde, o outro estado totalitário, sob as ordens
de Stalin, levaria às últimas consequências.
Evidentemente que o
"Volkischer Beobachter", na Inglaterra e nos países aliados que
enfrentavam a besta nazi, estava interdito. Porque era um órgão de propaganda
espúria e ao serviço dos intuitos da Gestapo e dos serviços secretos das SS.
Recentemente, como parte
das sanções aplicadas ao regime sicário de Wladimir Putin, algumas agências e
emissoras sob o controle deste chefe totalitário foram impedidas de emitir no
Ocidente, sendo como eram órgãos de propaganda orientada, ou seja: da agit-prop mais
descarada justificando a invasão e despedindo nefandos ataques à Democracia,
num esforço belicista indesmentível.
Pois logo algumas
"testemunhas falsas", ou dos chamados "betinhos", num
articulado que mostra bem o seu apoio subreptício àquela ditadura, vieram a
público clamando que elas deviam continuar a emitir por cá, caso contrário
havia censura...!
Ou seja, devia consentir-se
que continuassem a exercer livremente o seu papel de apoiantes do indivíduo que
ainda anteontem lançou uma lei que postula que sejam cominados com 15 anos de
prisão os que do seu povo se atrevam a questionar a guerra, quem a faz e quem a
sustenta!
Goebbels não faria melhor.
Goebbels ficaria muito feliz se Winston Churchill consentisse que o
"Volkischer Beobachter" aparecesse nos quiosques britânicos
tranquilamente!
O cinismo, concluímos,
em certas gentes é singular. E serve-se de tudo, até das ideias mais obnóxias e
hipócritas, para tentar levar a água ao seu moinho...
terça-feira, 1 de março de 2022
Uma carta
...caros confrades & amigos/as.
Neste dia aqui cheio de sol, do sol que ainda podemos gozar,
proponho-vos uma ligeira reflexão no momento em que o mundo vive uma das piores
crises dos últimos anos.
Quero falar-vos no aspecto moral inegociável que o
actual momento comporta e que pode ser evocado, por exemplo, pelo debate havido
anteontem na CNN Portugal em que estiveram presentes Sérgio Souza Pinto,
António Filipe e Sebastião Bugalho.
Souza Pinto, mediante um discurso sereno e bem articulado,
frontal e honesto, colocou sobre a mesa os dados da questão: dum lado a posição
das sociedades abertas, onde se procura emendar e melhorar a existência civil
das populações, nomeadamente através da necessária liberdade de expressão pela
qual as críticas, mesmo acerbas, se exercem, em vista do bem comum. Do outro,
regimes onde a verdade possível é a verdade das cliques que nelas exercem o seu
poder absoluto, onde a liberdade de expressão está condicionada, onde os
direitos humanos são o que os mandantes deliberam - ou seja, a sua negação - o
que através dos tempos a História documenta pelo saldo de milhões de mortos que
exerceu essa pretensa criação do "homem novo".
E acrescentou então uma pergunta: qual pois a autoridade moral do
PCP, que Filipe ali representava, para através de capciosas explicações, de
argumentações que não são mais que a expressão da sua ideologia totalitária,
justificar a presente acção do autocrata Putin?
Perante estas palavras percucientes, baseadas em realidades
inegáveis, qual a reacção de António Filipe? António Filipe, que alguns têm
tentado apresentar como uma das caras "suaves" do PCP e cuja
expressão corporal é de facto melíflua, insinuante, mansa (aquilo a que o povo,
na sua saborosa linguagem vernácula, caracteriza como um "mija
mansinho") reagiu como reagem os que não suportam que os coloquem
perante razões frontais indesmentíveis: chamou-lhe mentiroso e ameaçou
abandonar o debate, chegando mesmo a recolher caneta e papéis e demais aprestos.
Nos países onde dominaram, e ainda dominam, o que caberia a
Souza Pinto seria, como depreendem, bem pior.
E eis o meu ponto, quando me referi ao aspecto moral
inegociável: o sector que o PCP e seus asseclas representa entre nós,
tem durante anos e anos, mediante o poder que conseguira ter na sociedade (e
que agora democraticamente lhe está a fugir) manipulado a realidade dos
factos e o verdadeiro sentido da sua acção, que incessantemente busca
justificar com a militância feita contra o salazarismo. Ora, a prova dos
tempos mostra - e isso ficou bem demonstrado no chamado PREC - que se assim
sucedia o que eles visavam era instaurar em sequência uma ditadura ainda mais
pesada, a exemplo das que exerceram nos países de Leste e em todos os outros
onde estacionaram.
E não podemos ignorar que, sim, muitos homens e mulheres, sob a
égide comunista (ou assim chamada) se bateram nobremente contra o antigo regime
que vigorou em Portugal até ao golpe do 25 de Abril. Tal como, na Revolução de
Outubro, aconteceu. Mas veja-se como foram atraiçoados pelos que deles se
serviram, o que culminou, dezenas de anos mais tarde, com o colapso dum regime
e duma concepção de vida que afinal se provou ser só simulacro.
E é isso, finalmente, que hoje está em jogo na Ucrânia. Jogam-se ali
duas concepções políticas vitais: a Democracia, com todos os defeitos que tenha
- mas que a liberdade permite contestar e emendar - e a Ditadura justificada
com argumentos capciosos e pretensamente de equidistância, mas que afinal
deixam entrever a face nauseabunda da violência, da repressão e finalmente da
guerra. Que agora Putin, na sua paranoia, já ameaça poder ser nuclear!
A Ucrânia, melhor ou pior. bate-se hoje por todos nós.
O abraço de boa saúde e estima, do vosso
ns
Subscrevem:
Jorge Gaillard Nogueira
Álvaro de Navarro
Manuel Carreira Viana
Jules Morot
Joaquim Simões
ANTE-PROPÓSITO
ns
Silêncios ensurdecedores
No jornal Público,
Augusto M. Seabra escreve um artigo de opinião absolutamente significativo.
Passamos, com vénia ao seu Autor, a citar as palavras com que o artigo é
apresentado:
A Ucrânia e os abaixo-assinantes
Se o “ruído” mediático da guerra é ensurdecedor, há
também que assinalar que em Portugal se nota um silêncio que à sua maneira não
deixa de ser “ensurdecedor”, o silêncio, a ausência, das manifestações de
solidariedade: onde estão os apelos, os abaixo-assinados, as concentrações do
costume?
Efectivamente, onde estão por exemplo aqueles que, em junções literárias
que se têm ultimamente multiplicado – e onde expandem poesia e escritos que
pretendem humanistas – e onde expeditamente deixam sempre escapar posturas retintamente
pró-blocos do antigo Leste e pró-China?
Onde
estão essas senhoras e esses senhores que povoam essas sessões?
Claro que o que eles visam é algo de diferente da celebração da poesia e
do humanismo – que para eles é apenas um pretexto, visivelmente gramsciano, de
exercerem disfarçadamente ou com mais deliberado manejo arteiro, a agit-prop
com que buscam tomar-nos por mentecaptos.
À guisa do que nos anos de chumbo dos tempos da Guerra Fria utilizavam os bem conhecidos colectivos pretensamente artísticos que mais não faziam do que, de forma dissimulada ou francamente nua, expandir a propaganda das agendas totalitárias.
PÓRTICO
“ESTAMOS AQUI”
Por ser de uma límpida lucidez transcrevemos, com a devida vénia ao seu
autor, este texto de Luís Menezes Leitão.
- ns
Se
há algo que distingue os verdadeiros líderes é sua resistência nas situações difíceis.
A atitude mais fácil de um governante perante um ataque ao seu país é fugir,
quando a sua vida é ameaçada. Mas os verdadeiros governantes são aqueles que
resistem e não se importam de colocar a sua vida em risco em defesa da
instituição que representam.
A história oferece muitos
exemplos dessa atitude, começando pelo Imperador bizantino Justiniano, que viu
a sua vida ameaçada por uma revolta, tendo equacionado fugir. Foi dissuadido de
o fazer pela sua mulher, a Imperatriz Teodora, que lhe disse: "A
púrpura (o manto dos imperadores) é uma linda mortalha".
O Imperador ficou e a revolta foi dominada.
No séc. XX há vários
exemplos da mesma atitude. Aquando do bombardeamento da Inglaterra pela
Alemanha nazi foi equacionado transferir a família real para o Canadá, mas a
Rainha respondeu simplesmente: "As minhas filhas não vão sem mim. Eu
não vou sem o Rei. E o Rei não abandona o seu país".
Aquando do cerco nazi a
Moscovo, a denominada Operação Tufão, houve algo semelhante. Estaline mandou evacuar
o Governo e até transferiu o corpo de Lenine para fora da cidade. Mas ele
próprio manteve-se lá. E foi essa atitude que mobilizou o exército em defesa de
Moscovo. As duas palavras "Estaline ficou" ecoaram e
mobilizaram todos os soldados russos na defesa da sua capital obrigando o
exército alemão a recuar.
Hoje é Zelensky que,
perante uma agressão russa à Ucrânia, recusa ofertas de fuga e mantém-se ao
lado do seu povo na defesa do seu país dizendo-lhe simplesmente: "Estamos
aqui". Não se sabe qual será o seu destino, mas não há dúvida que
passou a ser o símbolo da Ucrânia resistente.
Para um minuto de meditação - 152
A UCRÂNIA DEVE SER LIVRE
Estamos
todos em dívida para com o povo ucraniano.
Neste
momento é o povo ucraniano que está a dar o corpo às balas, na primeira linha
da defesa da Europa, contra a oligarquia russa, com o Putin à cabeça.
Joaquim Rodrigues
(Dos jornais)
Um poema de Jules Morot
PARA GAZA
Gaza a bela, Gaza a pobre
deitada nas mãos obscuras do Hamas
como crianças israelenses nas
colinas de Haifa
sem braços sem pernas
mutiladas por um foguete ou um
morteiro
de homens que simulam amar Allah
enquanto outros na Europa fingem
amar a Cristo
de modo que novamente erigem
paredes entre a liberdade
e o sabor de um figo na Samaria ou
Palestina.
Eu lamento os teus mortos que o
fanatismo desejava
oculto como a mentira entre crianças
e mulheres
que comeram o pão e trabalharam nas
hortas
e brincavam jogavam fora das
madrassas
onde se rotulam as palavras de ódio
para que eles então percam as suas
almas
sob as bombas dos aviões
para o benefício de Alah, os
governantes
Gaza tu serás livre um dia
livre como o ar da floresta
e do deserto
sem que mãos obscuras a ti se
aferrem.
Em tua homenagem eu como este figo
humilde
e tomo uma taça de bom vinho
como se honrasse um futuro
casamento
de um árabe e de uma bela judia.
(Tradução de ns)
Para que a Terra não esqueça - Um texto de Nicolau Saião
Javier Pagola
1. AGORA TUDO FICOU MAIS CLARO
Quando, no meu primeiro escrito de
alguns dias atrás, referi que a situação de conflito militar que se está a
viver podia levar a uma conflagração geral, um bom amigo fora do inner circle escreveu-me
aduzindo que tal coisa não se poderia dar - por não se prever que a
Rússia se atrevesse a despoletar tal facto, temeroso.
Pois bem: as notícias da Última
Hora, veiculadas pelas diversas fontes de informação televisivas e radiofónicas
acabam de mostrar-nos que tal é uma possibilidade real. Ou seja: a Rússia acaba
de declarar que está na disposição de atacar militarmente a Finlândia e a
Suécia se estas resolverem aderir à Nato! Serve isto dizer que estas duas
Nações, membros da União Europeia, podem estar na mesma situação em que se
encontra a Ucrânia.
Putin, sem olhar a meios para
tentar estabelecer de novo o velho Império Russo, está disposto a precipitar
uma conflagração geral! O ditador russo vive agora, tirando definitivamente a máscara
com que a propaganda o tem coberto, uma deriva demencial.
O perigo é pois bem real, uma vez
que nessa circunstância as democracias ocidentais teriam que responder
militarmente à situação que lhe era posta!
Devo aduzir que estas manobras
da hierarquia russa, politica e militar, não me surpreendem - foi assim que
Hitler procedeu nos tempos que antecederam a Segunda Guerra, fazendo sucessivas
exigências que descambaram naquilo que a História cifrou.
As ditaduras, agressoras,
são todas do mesmo cariz. E não nos devemos esquecer que a URSS estalinista e a
Alemanha nacional socialista, pelas mãos e assinaturas de Ribbentrop e Molotov,
estabeleceram o pacto germano-soviético de triste memória e consequências!
Para chegarem aos seus fins
espúrios, não hesitam na loucura da guerra.
1
Tal
como, em Portugal, no seu tempo homens dignos como Aquilino e Ferreira de
Castro fizeram...e outros mais recentes, que nunca esqueceram que não
se pode ser, como dizia Robert Desnos, "um intelectual (cientista,
romancista ou poeta) e simultaneamente um canalha ou um cínico, esquecendo os
seus deveres de ética para com os semelhantes", em diversos
pontos do Mundo se erguem vozes significativas, de homens e mulheres com realce
público, chamando a atenção para algo que certos operadores - nomeadamente
agindo nas chamadas redes sociais - tentam cavilosamente instilar na opinião
corrente ao esquecerem que existe um aspecto moral inegociável.
Tal
como nos tempos de Hitler e posteriormente nos tempos do outro ditador,
Estaline, o seu relativismo moral concretiza-se no que eles tentam, mediante
argumentos cínicos que camuflam sob a capa de equidistância, justificar: as
posições dos cleptocratas e autocratas seja da Rússia seja da China, numa
evidente dependência das suas ideologias que já demonstraram o seu caracter
opressor por onde quer que tenham passado.
Esses "mornos" - para utilizar uma expressão bem reconhecível -
como diz a expressão bíblica, procedem assim tal como nos anos trinta do século
passado a História mostrou, porque no seu fundo apoiam as ditaduras e os que as
sustentam. Embora, cobardemente, busquem tapar-se com o tristemente célebre
"Sim, mas...".
Doutra maneira, corajosa e firme, agiram ontem 600 cientistas russos
incluindo um prémio Nobel, que corajosamente endereçaram uma carta ao
governo para que cessasse as acções militares na martirizada Ucrânia.
Tal como anteontem, 570 mil (não é engano de
números!) cidadãos russos assinaram uma petição para que o ditador
Putin parasse com a agressão e mandasse regressar as tropas invasoras.
O repúdio internacional tem sido quase unânime. Só têm divergido os
governos totalitários ainda existentes: Coreia do Norte, Cuba, Venezuela,
Síria, Irão, Bielorrússia e alguns menores comprados com o dinheiro
Russo/Chinês.
E, naturalmente, aqueles grupos ou grupelhos que, nesta parte do mundo,
fazem coro com as acções nefandas daqueles.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022
PÓRTICO
Causou
estupefação em certos círculos a recente tomada de posição do PC de cá a favor
das dementadas atitudes imperialistas de Putin.
Essas
posições são absolutamente naturais vindas de quem vêm.
O
PC é hoje, como sempre foi, uma espécie de quinta-coluna da Rússia, soviética
ou não.
Aliás,
após um período curto em que os sovietes, emanações livres e populares,
existiram, foram logo postos fora de combate, desaparecendo na prática nos
tempos do ditador Estaline.
A
palavra servia apenas para a mais baixa propaganda.
A
Rússia de hoje é, tal como nos tempos estalinistas e os que se seguiram até à
queda do Muro e ao desaparecimento da ditadura vermelha, uma autocracia, anti-democrática
e imperialista portanto.
E
esses regimes implantam quintas-colunas onde o podem fazer. É o caso de
Portugal com as manobras do PC, já plenamente desmascarado.
Jorge
Gaillard Nogueira
Para um minuto de meditação - 151
As duas faces da mesma moeda
Colho dos periódicos estas duas notícias que me parecem muito ligadas
por um laço mental comum. O “politicamente correto” europeu e o reacionarismo
islâmico querem desta maneira poluir a mente e o dia-a-dia das pessoas. O
Grande Irmão do livro famoso de George Orwell não faria melhor. A estupidez, a
maldade e o fanatismo tentam chegar para ficar. E o resto é conversa.
Manuel Carreira Viana
1. Ministra da Malásia defende violência doméstica
Siti Zailah, vice-ministra da pasta das
Mulheres e da Família, aconselhou ainda as mulheres a" falar com os
maridos quando estes estão calmos, acabaram de comer, já rezaram e estão
relaxados".
Esta dignitária é deputada do Partido
Islâmico da Malásia, um partido conservador islâmico do país asiático. A
ministra causou já alguma controvérsia no passado, ao defender uma campanha que
pretendia eliminar as bebidas alcoólicas da Malaysian Airlines, e
regularizar os uniformes das hospedeiras de bordo em conformidade com a lei
islâmica Sharia.
No vídeo, Siti Zailah aconselhou os homens a
falar com as esposas “teimosas e indisciplinadas“ e, caso não mudassem de
comportamento, a dormirem durante três dia separados das mulheres. No
entanto, se a mulher ainda se recusar a acatar o conselho, ou a mudar o seu
comportamento depois da separação a dormir, então os maridos podem tentar a
abordagem do contacto físico, atingindo-a gentilmente, para
demonstrar a sua intransigência e o quanto quer que ela mude”, afirmou a vice-ministra.
2. O
fim da palavra mãe? Há uma associação no Reino Unido que quer banir o género do
vocabulário das escolas
Querem que se diga "progenitor"
em vez de "mãe". Um professor contudo diz que palestras não
passam de "propaganda para ativistas trans". União Nacional de
Educação, que as financia, vai rever o seu conteúdo.
Os propagandistas defendem que os
estudantes devem parar de dizer “senhor” ou “senhora”
quando falam com o professor, chamando-o apenas como “teacher” (em inglês, a palavra professor não tem flexão
em género) seguido do sobrenome. Já do lado do educador, devem ser dispensados
termos como “rapazes”, “raparigas”, “filho” e “mãe”, substituindo-os por “estudantes”, “criança” ou “progenitor”.
(Dos jornais)
Um poema de Wislawa Szymborska (prémio Nobel 1996)
Olesya Karakotsya
Aniversário
Tanto
mundo ao mesmo tempo - como ele sussurra e se agita!
Morenas
e moreias e pântanos e mexilhões,
A
chama, o flamingo, a solha, a pena -
Como
alinhá-los todos, como colocá-los juntos?
Todos
os bilhetes e grilos e rastejadores e riachos!
As
faias e sanguessugas sozinhas podem levar semanas.
Chinchilas,
gorilas e salsaparrilhas -
Muito
obrigado, mas todo esse excesso de gentileza pode matar-nos.
Onde
está o pote para esta bardana florescente, murmúrio de riachos,
Briga
de torres, quiggle de cobras, abundância e problemas?
Como
ligar as minas de ouro e localizar a raposa,
Como
lidar com o linx, bobolinks, streptococs!
Dióxido
de conto: um peso leve, mas poderoso nas acções:
E
os octópodes, e as centopeias?
Eu
poderia olhar os preços, mas não tenho coragem:
Esses
são produtos que simplesmente não posso pagar, não mereço.
Não
é o pôr do sol um pouco demais para dois olhos
Que,
quem sabe, não podem abrir para ver o sol nascer?
Estou
apenas de passagem, é uma paragem de cinco minutos.
Não
vou agarrar o que está distante: o que está perto demais, vou confundi-lo.
Ao
tentar sondar o que é o sentido interno do vazio,
Vou
passar por todas essas papoulas e amores-perfeitos.
Que
perda quando pensas quanto esforço foi gasto
aperfeiçoando
esta pétala, este pistilo, este perfume
para
o aparecimento único, que é tudo o que é permitido,
tão
indiferentemente preciso e tão fragilmente orgulhoso.
Tradução de nicolau saião
Aos confrades, amigos, adeptos e simpatizantes
Devido a um problema informático de última hora, não nos será possível fazer a postagem desta semana. Esperando resolvê-lo em breve,...
-
Devido a um problema informático de última hora, não nos será possível fazer a postagem desta semana. Esperando resolvê-lo em breve,...
-
ns A Rosa de Todo o Ano Não se chamava Rosa, ‘tá de ver, mas eu chamava-lhe assim. Criada de todo o serviço duma família de teres, ia à pr...