«Diz-lhe que estás ocupado»: conversas
com Alexandre O´Neill, de Joana Meirim
Alexandre
O´Neill (1924-1986) deu entre 1944 e 1985 16 entrevistas que este livro reúne.
Joana Meirim na Introdução refere:
«As entrevistas de O´Neill são paratextos significativos para a configuração da
sua personalidade literária e convidam à releitura da sua poesia e das várias
crónicas que publicou.» Das diversas entrevistas escolhemos a de 1983 no
programa «Ler para Crer» de Adelino Gomes na Rádio Comercial. Sobre que livros
lê, cinema, teatro e música, eis a resposta; «Leio sempre muito e com muita variação.
Luís Cernuda e Pérez Galdós são neste momento os meus autores de cabeceira.
Cinema vejo pouco. Teatro ainda menos. Música oiço a que anda no ar, enquanto
faço a barba. Talvez seja um bárbaro!» Em relação a mitos portugueses como
Amália, Eusébio, Joaquim Agostinho, Infante D. Henrique, Salazar, Maria da
Fonte, irmã Lúcia, D. Sebastião e Nun’ Álvares, a resposta é «Eu acho que
chamar mitos a essa gente é exagerar. Alguns serão enigmas, não mais que isso.
Nun´Álvares seria o meu biografado.» Sobre a sua Poesia afirma: «Não me importa
nada de estar fora de moda.» e «O público tem péssimos hábitos; pede muito à
poesia.» Um dado curioso é o que o maravilha: «Maravilha-me assistir a um pobre
de um reformado que está numa bicha para receber a reforma.» Outro será a sua
preocupação: «Preocupa-me o destino de um país chamado Portugal. Isso
preocupa-me embora não tenha nenhum cargo de velar pelo país a que pertenço
mas, como sou português, penso nele e efectivamente preocupa-me o destino deste
país». Termina esta nota de leitura com o epitáfio possível do Poeta: «Aqui jaz
Alexandre O´Neill/ Um dos homens do seu tempo/ Que menos dormiu/ Bem merecia
isto.»
(Edição, organização e introdução:
Joana Meirim, Editora: Tinta-da-China, Capa: V. Tavares, Composição: P. Serpa,
Apoio: Fundação Calouste Gulbenkian e Universidade Católica)
Alexandre O'Neill foi um autor singular. Vou já contradizer-me anunciando que seria uma inédita catacrese de António Nobre,autor de Só e de Bocage, o máximo expoente do sarcasmo português.
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