Do pai da Ana Maria 5º ano turma 8ª
sobre o 25 de Abril
Esta foto foi tirada em 7-10-1972 na Foto
Évora - Rua do Raimundo. Em 1988 escrevi um texto para o jornal da Escola
«Fernão Lopes»: «Quando em 1966 comecei a trabalhar verifiquei que a vida tinha
assuntos que os livros escolares desconheciam. Os principais problemas dos
portugueses eram a guerra colonial e a falta de liberdade. Com quinze anos,
terminado um curso, o meu problema era chegar aos vinte e um anos e ter que ir
dar o corpo ao manifesto numa guerra que não era minha. Toda a minha juventude
foi marcada por essa angústia. Sabe-se pelos números oficiais que terão morrido
na guerra 9.000 homens e terão ficado com grandes deficiências mais de 26.000.
Homens na flor da idade a quem foi negado o direito de escolher a sua própria
vida futura. O fascismo limitava (ou suprimia) os direitos elementares à
informação, à livre expressão do pensamento, censurava os jornais, os filmes, o
teatro, mandava prender quem, numa conversa de café, dizia não estar de acordo
com o Governo. O seu destino era o Aljube, Caxias, Peniche ou o Tarrafal. O
medo instalava-se. A resignação, o fatalismo e a ignorância eram os
companheiros daqueles que mais revoltados deviam estar. O meu «25 de Abril»
teve a ver com a função específica que me era destinada pelas minhas
habilitações: Contabilidade. Isto quer dizer que não saí à rua e fiz parte da
segurança do Quartel de Engenharia nº1 na Pontinha. Estive muito perto de
Marcelo Caetano que dormiu numa cama improvisada na biblioteca. Naqueles dias
vivi momentos intensos e graves, não arrisquei a vida mas arrisquei a pele para
que outros jovens não tivessem que ir à guerra. Jovens como vocês.»

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