quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Uma crónica de José do Carmo Francisco

 



Do pai da Ana Maria 5º ano turma 8ª sobre o 25 de Abril


   Esta foto foi tirada em 7-10-1972 na Foto Évora - Rua do Raimundo. Em 1988 escrevi um texto para o jornal da Escola «Fernão Lopes»: «Quando em 1966 comecei a trabalhar verifiquei que a vida tinha assuntos que os livros escolares desconheciam. Os principais problemas dos portugueses eram a guerra colonial e a falta de liberdade. Com quinze anos, terminado um curso, o meu problema era chegar aos vinte e um anos e ter que ir dar o corpo ao manifesto numa guerra que não era minha. Toda a minha juventude foi marcada por essa angústia. Sabe-se pelos números oficiais que terão morrido na guerra 9.000 homens e terão ficado com grandes deficiências mais de 26.000. Homens na flor da idade a quem foi negado o direito de escolher a sua própria vida futura. O fascismo limitava (ou suprimia) os direitos elementares à informação, à livre expressão do pensamento, censurava os jornais, os filmes, o teatro, mandava prender quem, numa conversa de café, dizia não estar de acordo com o Governo. O seu destino era o Aljube, Caxias, Peniche ou o Tarrafal. O medo instalava-se. A resignação, o fatalismo e a ignorância eram os companheiros daqueles que mais revoltados deviam estar. O meu «25 de Abril» teve a ver com a função específica que me era destinada pelas minhas habilitações: Contabilidade. Isto quer dizer que não saí à rua e fiz parte da segurança do Quartel de Engenharia nº1 na Pontinha. Estive muito perto de Marcelo Caetano que dormiu numa cama improvisada na biblioteca. Naqueles dias vivi momentos intensos e graves, não arrisquei a vida mas arrisquei a pele para que outros jovens não tivessem que ir à guerra. Jovens como vocês.» 


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