Fernando
Assis Pacheco nasceu em Coimbra, entre livros, bibliotecas e Universidades no
dia 1-2-1937 e morreu em Lisboa à porta da Livraria Buchholz em 30-11-1995.
Tornámo-nos amigos em Janeiro de 1981 quando ele me telefonou para o BPA da
Fontes Pereira de Melo e fez uma notícia para O JORNAL sobre o Prémio Revelação
de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores. Ele afirmou-se como campeão
de futebol de botão em Coimbra e eu respondi ter sido director do jornal de
parede em Vila Franca de Xira na Escola Técnica. Num tempo sem cartões
multibanco, eu ia muitas vezes à Alexandre Herculano levantar dinheiro e
encontrava-o a sair do autocarro 9. Antes de ir para O JORNAL ele entrava na Buchholz
para saber novidades. Tinha estado em Heidelbreg a preparar uma tese de
licenciatura sobre a obra de Sthephen Spender por sugestão de Paulo Quintela.
Um dia respondeu numa entrevista: «Sou Aquário mas não ligo peva. Sou todos os
adjectivos da pergunta ou seja deprimido, introvertido, extrovertido, calmo,
fogoso, mas também inteligente, esquizóide, reinadio, arrebatado, ponderado e
extravagante mas à vez, para não chatear o indígena.» Sobre a sua oficina
poética afirmou: «O amor. A morte. A solidão. As máscaras. O tempo. A
violência. A paz. A alegria. Deita-se na Moulinex e tira-se um caldo. Sou eu.»
O facto de não ter tomado muito a sério a sua poesia fazendo apenas edições
policopiadas no senhor Magalhães no Chiado fez com que «Musa Irregular» tivesse
uma ampla divulgação. Ser conhecido não é o mesmo que ser importante. Outro
aspecto tem a ver com o jornalismo cultural que transmite uma certeza: só o
tempo revela a posteridade, o pó é para todos, a posteridade só para alguns.
Uma nota final: para ele o jornalista era o historiador do quotidiano: «Para um
jornalista o conhecimento dos outros homens se não for paixão não é coisas
nenhuma.»
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