Casa Museu de José Régio, em Portalegre
RÉGIO E OS ESCRITORES
BRASILEIROS
Que Régio foi apreciado e
admirado por muitos escritores brasileiros é ponto assente. De Manuel Bandeira
a Ribeiro Couto (que ele celebrou em comovido texto inserto no livro de
homenagem póstuma ao poeta que conhecera em Portalegre numa noite singular) de
Moreira da Fonseca a Cecília Meireles (que o antologiou com palavras à sua
altura de excepção), de Jorge de Lima a Graciliano Ramos – diversos foram os
autores do país irmão com quem trocou livros e menções de apreço. A sua atenção
à literatura brasileira era consequência da sua atenção ao mundo das letras,
que nunca esmoreceu ao longo dos anos que lhe couberam viver.
Detenhamo-nos um pouco sobre
as dedicatórias de três dos escritores citados inscritas em livros remetidos a
Régio ao longo do tempo. Elas trazem em si não só o selo da admiração mas,
também, facultam pistas que nos permitem descortinar em que medida ou de que
forma se perspectivava o seu interesse pelo autor de “Davam grandes passeios aos
domingos…”.
Na edição aumentada de “Poesias completas”, da Americ.Edit., remetida a Régio em
Cecília Meireles, que em “Poetas novos de Portugal”(Edições Dois Mundos,1944) via em Régio
um temperamento “dramático, oratório, gritando suas amarguras, discutindo-as
com interlocutores que o ouvem da lama e das estrelas, falando-se e
respondendo-se em voz alta, em monólogos arrebatados e arrebatadores”, inscreve
no seu livro “Mar absoluto e outros poemas” a seguinte dedicatória: “A José
Régio, essa veemente voz da poesia do mundo, com estima”. A tónica é posta pois
na veemência, na força interior que atravessava o verbo de Régio, autor que ela
entendia fazer parte da poesia do mundo, do universo da escrita maior que era o seu timbre. Para quem
conhece a obra de Cecília Meireles, toda ela percorrida de atenção ao absoluto,
percebe o que lhe subjaz e de que matéria é feito esse olhar e essa admiração.
A dedicatória de Moreira da
Fonseca, um dos grandes poetas modernos do Brasil, cuja voz permanece pura e
límpida, ática, definidora – e decerto permanecerá – é mais sucinta mas não
menos significativa. Reza assim: “A José Régio, com viva admiração, of. o José
Paulo Moreira Fonseca”. Está inscrita no livro Poesias, dado a lume em 1949 pela Livraria
Editora José Olympio e foi enviado a Régio em Março de 1950. O que ela nos
mostra é uma funda atenção de um dos
– à altura – poetas novos do Brasil que, apesar de diferente nos seus temas e
nos seus métodos de escrita, sabia compreender e apreciar a demanda poética e
por isso vital do autor de “A
velha casa”.
De entre outros, aqui ficam estes três
exemplos do amor que a escrita de Régio despertava nesse país – distante
geograficamente mas bem perto dele dum ponto de vista literário e humano.

Sem comentários:
Enviar um comentário