quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Dois poemas de Benjamin Péret

 


(1889-1959)


     Francês e homem do mundo, foi um dos mais constantes companheiros de André Breton.   

  Fez, tal como George Orwell, a Guerra de Espanha integrado nos batalhões do POUM e das brigadas libertárias. Salvou-se por um triz de ser assassinado pelos Serviços Especiais do exército a mando de Stalin. Autor multifacetado e ateu assumido, deu a lume entre outros “A cabra galante” e “Eu não como desse pão”. Foi casado com a pintora surrealista Remédios Varo. - ns


TEMPO DIFERENTE

 

O sol da minha cabeça é de todas as cores

É ele que ilumina as casas

de palha

onde vivem os senhores saídos das crateras

e as belas mulheres que em cada dia nascem

e em cada tarde morrem

como os mosquitos.

Mosquito de todas as cores

que vens tu fazer aqui?

O sol   este sol    é para cães

e o calor sacode as montanhas

enquanto as montanhas nadam

sobre um mar pleno de luzes

onde o calor e o peso da vida

não existem

- onde eu não meteria nem a ponta do meu pé.

 

 

A DOENÇA IMAGINÁRIA

 

Eu sou o cabelo de chumbo

que viaja de astro em astro

que se tornará em cometa

e num ano e num dia te destruirá.

 

Mas por enquanto não há dias nem anos

existe apenas uma planta viçosa

de que desejas ser semelhante

 

Para ser irmão das plantas

é preciso crescer na vida

ser sólido quando na morte

Ora eu sou somente imóvel

e mudo como um planeta

Vou banhando os pés nas nuvens

que como bocas em volta

me condenam a ficar

entre os que parados estão

e que as plantas desesperam

 

No entanto um dia

os líquidos revoltados

lançarão para as nuvens

armas assassinas

manejadas pelas mulheres azuis

como os olhos das filhas do norte

 

E esse dia será dentro de um ano e um dia.

 

 

(Tradução de nicolau saião)


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