segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Um poema de Aimé Césaire

 


(Martinica, 1913 - Fort-de-France, 2008)



ENTRE OUTRAS MORTANDADES


Com todas as suas forças, o sol e a lua cintilam

os luzeiros tombam como testemunhos demasiado maduros

como uma ninhada de ratos cinzentos

 

Não temas, nada antecipa que as suas águas subam

e com elas levem a espelhada ribeira

 

Salpicaram-me de lama os olhos

e eu vejo, terrivelmente vejo

que de todas as montanhas, de todas as ilhas

apenas restam alguns dentes cariados

da impenitente saliva do mar.

 

(Tradução de nicolau saião)


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