Oswaldo Vigas
O MEDO
Surgiu
Por detrás
Da nuvem escura
Que tapou a lua.
Escorregou
Sobre a planície,
Negro,
Envolto
Em longas chamas.
Era meu.
Pertencia-me.
Era o medo
INCORRUPTA E LIVRE
Nem o declínio prematuro
Dos lírios do vale,
Nem a queixa pressentida
Das flautas ocultas,
Nem a marca na estrada,
Onde pousou, hirto,
O pequeno coró,
Nada do que a fez germinar
Lhe prendeu os veios invisíveis.
Incorrupta e livre,
A amargura deixou
Os seus sinais translúcidos no portal,
E roçou, fluida,
Por todas as fronteiras estelares,
Tornando desumana a noite do poeta.
A VIAGEM
Acabo de chegar,
Irmão,
E vim de longe.
Vi rostos
Inclinados sobre a terra
E o torpor do mundo
Num olhar.
Vi as pedras
Da estrada
Ensanguentadas
E o sol
Feito poeira
Sobre as pedras.
Vi a sombra
Da noite
A diluir-se
No frio da madrugada.
Agora
A Morte caminha atrás de mim,
Irmão,
E acabo de chegar.

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