quinta-feira, 15 de abril de 2021

Um poema de Nicolás Guillén

 




POEMA NÚMERO SEIS (fragmento)

 

Índias Ocidentais! Índias Ocidentais! West Indies!

Este é o povo hirsuto

de cobre, multicéfalo, onde a vida luta

com o lodo seco entranhado na pele.

Este é o presídio

onde cada homem existe de pés atados.

Esta é a grotesca sede das companies and trusts.

Aqui estão o lago de asfalto, as minas de ferro

as plantações de café

os port docks, os ferry boats, os ten cents

 

Este é o povo do all right

onde tudo se encontra mal

Este é o povo do very well

onde nada está bem.

 

Aqui estão os servidores de Mr.Babbit.

Os que educam os filhos em West Point.

Aqui estão os que chilreiam: hello baby

e fumam “Chesterfield” e “Lucky Strike”.

Aqui estão os bailarinos de fox trots

os boys do jazz band

e os veraneantes de Miami e Palm Beach.

Aqui estão os que pedem bread and butter

e coffee and milk.

Aqui estão os absurdos jovens sifilíticos

os fumadores de ópio e marijuana

exibindo as suas espiroquetas

e mandando fazer um fato em cada semana.

Aqui está o melhor de Port-au-Prince

O mais puro de Kingston, o high life de La Habana…

 

Mas aqui estão também os que remam em lágrimas

galeotes dramáticos, galeotes dramáticos.

Aqui estão eles

os que trabalham com uma picareta

a dura pedra onde pouco a pouco se crispa

o punho de um titã. Os que acendem a chispa

vermelha, sobre o campo ressequido.

Os que gritam: “Cá estamos!” e a quem responde o eco

de outras vozes:”Cá estamos!”. Os que em rude tumulto

sentem latir o sangue com sílabas de insulto.

 

               

                                                                   in “West Indies, Ltd”

 

                                                            (Tradução de Nicolau Saião)


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