POEMA NÚMERO SEIS (fragmento)
Índias Ocidentais! Índias
Ocidentais! West Indies!
Este é o povo hirsuto
de cobre, multicéfalo, onde a vida
luta
com o lodo seco entranhado na pele.
Este é o presídio
onde cada homem existe de pés
atados.
Esta é a grotesca sede das companies and trusts.
Aqui estão o lago de asfalto, as
minas de ferro
as plantações de café
os port docks, os ferry boats,
os ten cents…
Este é o povo do all right
onde tudo se encontra mal
Este é o povo do very well
onde nada está bem.
Aqui estão os servidores de
Mr.Babbit.
Os que educam os filhos em West
Point.
Aqui estão os que chilreiam: hello baby
e fumam “Chesterfield” e “Lucky
Strike”.
Aqui estão os bailarinos de fox trots
os boys do jazz band
e os veraneantes de Miami e Palm
Beach.
Aqui estão os que pedem bread and butter
e coffee and milk.
Aqui estão os absurdos jovens
sifilíticos
os fumadores de ópio e marijuana
exibindo as suas espiroquetas
e mandando fazer um fato em cada
semana.
Aqui está o melhor de Port-au-Prince
O mais puro de Kingston, o high life de La Habana…
Mas aqui estão também os que remam
em lágrimas
galeotes dramáticos, galeotes
dramáticos.
Aqui estão eles
os que trabalham com uma picareta
a dura pedra onde pouco a pouco se
crispa
o punho de um titã. Os que acendem
a chispa
vermelha, sobre o campo ressequido.
Os que gritam: “Cá estamos!” e a quem responde o eco
de outras vozes:”Cá estamos!”. Os que em rude tumulto
sentem latir o sangue com sílabas
de insulto.
in “West Indies, Ltd”
(Tradução de Nicolau Saião)

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