Um
texto de José do Carmo Francisco
«As palavras em jogo» não são para
todos mas podiam ser
Já
sei, desde 1978 quando comecei a escrever no «Diário Popular», que Portugal tem
um sistema cultural tenebroso, entre maldade, estupidez e má fé. Luís de Camões
em «Os Lusíadas» termina o Canto X com as palavras «ter inveja». O morto que
fala, o cantor que não canta, o juiz que trabalha na TV, tudo isso e muito
mais, são sintomas da doença do sistema cultural. A maior parte dos portugueses
conhece Bulhão Pato pelas amêijoas, Bocage pelas anedotas e Camões pelo olho
perdido. Um dia quis entrevistar um escritor que me respondeu «Eu estou
habituado a dar entrevistas a grandes jornalistas!». Contaram-me que um
responsável cultural falou de mim nestes termos: «Não o ponham tão alto que ele
nem é licenciado!».
Este
assunto não é pessoal, longe disso. Estamos sempre a aprender; hoje quero
referir um aspecto que desconhecia por completo. O livro «As palavras em jogo»
(Editora Padrões Culturais) vai ser destruído por decisão do administrador da
massa falida. Mesmo que alguém o queira comprar para o oferecer a Escolas ou
Bibliotecas não o pode fazer. O livro tem 220 páginas e integra entrevistas com
as seguintes figuras: Álvaro Cunhal, Américo Guerreiro de Sousa, António Alçada
Baptista, António Roquete, Carlos Mendes, Clara Pinto Correia, Daniel Sampaio,
David Mourão-Ferreira, Dinis Machado, E.M. Melo e Castro, Eduardo Guerra
Carneiro. Eduardo Nery, Fausto, Francisco José Viegas, Helena Marques, Joaquim
Pessoa, José Duarte, José Fernandes Fafe, José Manuel Mendes, José Nuno
Martins, José Quitério, Lídia Jorge, Luís Filipe Maçarico, Mário Jorge, Matos
Maia, Mia Couto, Nicolau Saião, Rita Ferro, Romeu Correia e Urbano Tavares
Rodrigues.
Junta-se uma memória de Francisco dos
Santos, o primeiro português a jogar em Itália no ano de 1907, tendo sido
capitão da equipa da Lázio.
Nota NS
Claro que o que neste texto se conta nem
precisa de comentários…Segundo soube, é usual fazer-se assim, numa clara acção
de estraçalhamento do livro, da palavra escrita. Um facto semelhante é
referido, no “Diário da Abuxarda”, pelo seu autor Marcelo Duarte Mathias, que
numa entrada de Março de 2007 nos conta que também a um livro seu foi aplicado o
cutelo destruidor…
É destas pequenas(grandes)“nuances” que se
faz a estória…de tempos deste tempo.
Há coisas muito estranhas! O mais curioso é que fiquei com vontade de ler o livro. Grande abraço.
ResponderEliminarAinda bem Milinha, pela minha parte obrigado pelo comentário. Vale a pena ser lido, é um acervo multifacetado de autores das mais diversas formações, numa recolha bem feita pelo nosso JCF. Saudações cordiais e abraço grande. NS
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