segunda-feira, 30 de novembro de 2020

É assim que se faz a estória...

 

Um texto de José do Carmo Francisco






«As palavras em jogo» não são para todos mas podiam ser

    Já sei, desde 1978 quando comecei a escrever no «Diário Popular», que Portugal tem um sistema cultural tenebroso, entre maldade, estupidez e má fé. Luís de Camões em «Os Lusíadas» termina o Canto X com as palavras «ter inveja». O morto que fala, o cantor que não canta, o juiz que trabalha na TV, tudo isso e muito mais, são sintomas da doença do sistema cultural. A maior parte dos portugueses conhece Bulhão Pato pelas amêijoas, Bocage pelas anedotas e Camões pelo olho perdido. Um dia quis entrevistar um escritor que me respondeu «Eu estou habituado a dar entrevistas a grandes jornalistas!». Contaram-me que um responsável cultural falou de mim nestes termos: «Não o ponham tão alto que ele nem é licenciado!».

  Este assunto não é pessoal, longe disso. Estamos sempre a aprender; hoje quero referir um aspecto que desconhecia por completo. O livro «As palavras em jogo» (Editora Padrões Culturais) vai ser destruído por decisão do administrador da massa falida. Mesmo que alguém o queira comprar para o oferecer a Escolas ou Bibliotecas não o pode fazer. O livro tem 220 páginas e integra entrevistas com as seguintes figuras: Álvaro Cunhal, Américo Guerreiro de Sousa, António Alçada Baptista, António Roquete, Carlos Mendes, Clara Pinto Correia, Daniel Sampaio, David Mourão-Ferreira, Dinis Machado, E.M. Melo e Castro, Eduardo Guerra Carneiro. Eduardo Nery, Fausto, Francisco José Viegas, Helena Marques, Joaquim Pessoa, José Duarte, José Fernandes Fafe, José Manuel Mendes, José Nuno Martins, José Quitério, Lídia Jorge, Luís Filipe Maçarico, Mário Jorge, Matos Maia, Mia Couto, Nicolau Saião, Rita Ferro, Romeu Correia e Urbano Tavares Rodrigues.

   Junta-se uma memória de Francisco dos Santos, o primeiro português a jogar em Itália no ano de 1907, tendo sido capitão da equipa da Lázio.      

   Nota NS

   Claro que o que neste texto se conta nem precisa de comentários…Segundo soube, é usual fazer-se assim, numa clara acção de estraçalhamento do livro, da palavra escrita. Um facto semelhante é referido, no “Diário da Abuxarda”, pelo seu autor Marcelo Duarte Mathias, que numa entrada de Março de 2007 nos conta que também a um livro seu foi aplicado o cutelo destruidor…

  É destas pequenas(grandes)“nuances” que se faz a estória…de tempos deste tempo.


2 comentários:

  1. Há coisas muito estranhas! O mais curioso é que fiquei com vontade de ler o livro. Grande abraço.

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    1. Ainda bem Milinha, pela minha parte obrigado pelo comentário. Vale a pena ser lido, é um acervo multifacetado de autores das mais diversas formações, numa recolha bem feita pelo nosso JCF. Saudações cordiais e abraço grande. NS

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