O
MUNDO FECHADO
Não
sei o que faço aqui,
Neste
bocado de chão
Comido
pelas formigas,
Nesta
hora cinzenta
Como
o asfalto gasto da estrada,
Nesta
página atravessada
Por
soluços e relâmpagos.
Não
me interessam
As
notícias do desengano
E
do desempenho,
Não
me interessam as vozes
Que
clamam por doses bem servidas
De
raiva,
Não
me interessam os interesses.
Mas
ainda não sei o que faço aqui,
A
fazer de eu mesmo,
Porque
sou eu mesmo
E
o meu medo
De
não ser reconhecido por ti
Na
rua dos teus passos.
APARELHO
AUDITIVO
Falamos
muito do silêncio
E
não nos damos conta do ruído
Das
cidades em chamas.
Cantamos
de cabeça descoberta
Canções
antigas como a terra
Do
fogo e do diabo.
Só
ouvimos a música dos poços
E
dos pântanos secos na memória,
Depósito
de sombra.
Até
que a Ceifeira nos seque a palavra.
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