segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Poemas de Juan Carlos García Hoyuelos (Basauri – Vizcaya, 1968)

 

APROXIMA-TE, SEJA COM A VERDADE OU COM A MENTIRA

 

Diz-me, ainda que seja uma mentira

de amor com sons de certeza.

Hoje, como nunca, necessito

das tuas palavras, tenho de rodear-me

dos teus montes de nevoeiro.

 

Deixa uma verdade de amor na minha respiração,

um placebo nas minhas dúvidas,

aquelas que, tolo de mim, num dia são ferida

sem cura possível,

e num dia diferente, não muito distante

da ruína evidente, levianas intrigas.

 

Aproxima-te, ainda que a hena das tuas carícias

leve embebida uma morte súbita,

ama-me como eu te sinto agora,

deixemos feridos os nossos lábios

de tanto provocarem vendavais de lume.

 

E quando o leito não consiga

distinguir-nos, desfolhemos nós

essa mentira até dar

com o seu oculto pensamento.

 

 

PODE SER QUE…

 

Pode ser que por serem tão iguais,

o fogo se haja extinto em nossos olhos,

pode ser…que as palavras exactas,

as mais necessárias,

antes tão usuais e espontâneas

se hajam quebrado em mil pedaços

por lhes faltar o ar.

 

Nós nos esforcemos por encontrar
uma razão nos plurais

ou em esperar quem no fim

se apropriará da última palavra;

era um facto mais que evidente

que ambos fômos uns náufragos

aprisionados na mesma ilha.

 

Nem sequer seria justo
dizer que vivíamos num equívoco;

lembra-te dos beijos que derrubaram
o pulso meticuloso da noite
e dos olhares cúmplices
que não precisavam de outro vocabulário
  
Embora assegures que o amor
não dura toda uma vida
(começo a pensar que tens razão),

pode ser que ao dividir-se o dia

na lonjura

a escassos metros do seu ponto final

ainda fiquem contudo beijos rebeldes
esperando na retaguarda


Pode ser…

 

(Tradução ns)


Sem comentários:

Enviar um comentário

Aos confrades, amigos, adeptos e simpatizantes

     Devido a um problema informático de última hora, não nos será possível fazer a postagem desta semana.    Esperando resolvê-lo em breve,...