APROXIMA-TE,
SEJA COM A VERDADE OU COM A MENTIRA
Diz-me, ainda
que seja uma mentira
de amor com sons
de certeza.
Hoje, como
nunca, necessito
das tuas
palavras, tenho de rodear-me
dos teus montes
de nevoeiro.
Deixa uma
verdade de amor na minha respiração,
um placebo nas
minhas dúvidas,
aquelas que,
tolo de mim, num dia são ferida
sem cura
possível,
e num dia
diferente, não muito distante
da ruína
evidente, levianas intrigas.
Aproxima-te,
ainda que a hena das tuas carícias
leve embebida
uma morte súbita,
ama-me como eu
te sinto agora,
deixemos feridos
os nossos lábios
de tanto
provocarem vendavais de lume.
E quando o leito
não consiga
distinguir-nos,
desfolhemos nós
essa mentira até
dar
com o seu oculto
pensamento.
PODE SER QUE…
Pode ser que por serem tão iguais,
o fogo se haja extinto em nossos
olhos,
pode ser…que as palavras exactas,
as mais necessárias,
antes tão usuais e espontâneas
se hajam quebrado em mil pedaços
por lhes faltar o ar.
Nós nos
esforcemos por encontrar
uma razão nos plurais
ou em
esperar quem no fim
se
apropriará da última palavra;
era um
facto mais que evidente
que ambos fômos uns náufragos
aprisionados na mesma ilha.
Nem
sequer seria justo
dizer que vivíamos num equívoco;
lembra-te
dos beijos que derrubaram
o pulso meticuloso da noite
e dos olhares cúmplices
que não precisavam de outro vocabulário
Embora assegures que o amor
não dura toda uma vida
(começo a pensar que tens razão),
pode
ser que ao dividir-se o dia
na lonjura
a
escassos metros do seu ponto final
ainda
fiquem contudo beijos rebeldes
esperando na retaguarda
Pode ser…
(Tradução ns)
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